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Reclamar com Compaixão: Quando se Expressar é um Ato de Cuidado

  • Espaço Psique Moema
  • 11 de nov.
  • 2 min de leitura

Muita gente acha que “reclamar” é ser negativo. Mas, na verdade, expressar o que incomoda — com respeito e consciência — é uma das formas mais saudáveis de cuidar da própria saúde emocional.


Engolir o que sentimos só gera acúmulo e distância. Explodir depois, tomada por raiva, também não resolve.

Entre o silêncio e a explosão, existe um terceiro caminho: o de falar com clareza e gentileza, sem negar o desconforto nem transformar o outro em inimigo.


1. Validar o que você sente


Em vez de se culpar por “reclamar demais”, reconheça: o incômodo é um sinal legítimo.

O psicólogo Paul Gilbert, criador da Terapia Focada na Compaixão, nos lembra que emoções difíceis são parte natural da condição humana — e que acolhê-las, em vez de combatê-las, é um gesto de coragem.


Reclamar com consciência é dizer:


“O que eu sinto importa.”


Não se trata de exigir demais, mas de reconhecer as próprias necessidades com respeito.


2. Presuma boas intenções


Nem todo erro é má vontade. Às vezes, é distração ou pressa.

Quando olhamos o outro com um olhar mais compassivo, como propõe Gilbert, o diálogo se abre.

Em vez de “você sempre faz isso!”, tente:


“Quando isso acontece, eu me sinto deixado de lado.”


Essa forma de falar expressa o que é importante sem atacar — e, segundo Steven C. Hayes, criador da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), isso é agir de acordo com nossos valores, e não com a reatividade do momento.


3. Fale com leveza


O tom é tudo.

Uma reclamação dita com serenidade aproxima, enquanto o sarcasmo afasta.

Reclamar bem é educar o mundo sobre quem você é — com firmeza, empatia e clareza.


Por trás da raiva, quase sempre há dor


Muitas vezes, a raiva é só a camada visível de algo mais profundo: medo, tristeza ou vergonha.

A compaixão nos ajuda a olhar para essa dor sem julgamento.

Reclamar com calma é um ato de amor-próprio — uma forma de se tratar com dignidade, mesmo quando algo te incomoda.



Falar com compaixão não é ser passivo — é escolher se expressar com sabedoria.

Reclamar bem é cuidar de si e do outro ao mesmo tempo. 💛



Referências

• Gilbert, P. (2010). The Compassionate Mind: A New Approach to Life’s Challenges. New Harbinger.

• Hayes, S. C., Strosahl, K., & Wilson, K. (2016). Terapia de Aceitação e Compromisso: O processo e a prática da mudança consciente. Artmed.


[Texto escrito pela psicóloga Adriane Camillo]

 
 
 

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