Fugir do sofrimento pode aumentar a dor.
- Espaço Psique Moema
- 22 de ago.
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Este é um dos temas que mais aparece nas sessões com meus pacientes. As pessoas não costumam entender como fugir do sofrimento pode ser algo tão prejudicial, haja visto que inicialmente causa um baita alívio.
Diante de emoções difíceis como tristeza, medo, raiva ou ansiedade, uma das reações mais escolhidas por nós é: fugir. Evitamos situações, distraímos a mente mexendo no celular ou tentamos controlar os sentimentos a qualquer custo. À primeira vista, isso parece uma boa saída. Mas a psicologia mostra que, quando tentamos escapar constantemente do sofrimento, acabamos aumentando ainda mais a dor.
Chamamos esse padrão de evitação experiencial: o esforço de não sentir o que consideramos desagradável. O problema é que, ao fugir do sofrimento, passamos também a fugir da vida.
• Uma pessoa que evita falar em público para não sentir ansiedade pode perder oportunidades profissionais.
• Alguém que evita relacionamentos para não se frustrar pode se afastar de conexões profundas e significativas.
Você pode achar que está vivendo uma vida mais “leve” por achar que sofre menos. Porém, a vida vai se tornando cada vez mais restrita, e a dor emocional, em vez de diminuir, cresce.
Proponho um caminho diferente: abrir espaço para as emoções difíceis, ao invés de lutar contra elas, reconhecendo que a dor faz parte da condição humana.
A terapia ensina estratégias para observar pensamentos e sentimentos sem se deixar dominar por eles, construindo flexibilidade psicológica.
Mais do que “eliminar a dor”, o objetivo é ajudar a pessoa a se reconectar com aquilo que realmente importa — e caminhar em direção a uma vida com mais significado, mesmo quando o sofrimento aparece no percurso.
Em outras palavras: não precisamos fugir do sofrimento para viver bem. Podemos aprender a conviver com ele de forma mais leve, sem deixar que ele nos impeça de seguir em frente.
[Texto escrito pela psicóloga Priscila Solamone]





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